Quem somos
Claudemira – Uma cientista comprometida com a educação e a luta antirracista
Filha de uma costureira e de um fotógrafo, Claudemira nasceu em Minas Gerais e é a primogênita de cinco irmãos. Aos seis anos, sua família migrou para a periferia do Rio de Janeiro, onde ela cursou toda a Educação Básica. Casou-se aos 19 anos e mudou-se para o Paraná, conciliando a vida acadêmica com os desafios da maternidade e do trabalho. Já mãe de duas filhas, Thais e Izabella, iniciou sua formação continuada com uma especialização em Metodologia das Ciências.
Foi professora da rede pública estadual por duas décadas, período em que orientou diversos projetos de iniciação científica. A curiosidade dos alunos foi o que a impulsionou a ingressar no Mestrado em Ciência do Solo (UFPR, 2002) e, mais tarde, no Doutorado em Produção Vegetal (UFPR, 2009). Ao longo de sua carreira, enfrentou inúmeras situações de racismo e discriminação, o que a motivou a atuar ativamente na promoção de uma educação antirracista.
Ao ingressar como professora da UFPR, passou a integrar o Núcleo de Estudos Afro-brasileiros (NEAB) e, em 2018, aceitou o convite da professora Márcia Holsbach Beltrame para compor a equipe do projeto de pesquisa Genes e Saúde da População Afro-brasileira. Dessa parceria, nasceu o projeto de extensão A Genética Tem Cor?, voltado à divulgação científica e à produção de materiais didáticos com foco na valorização da população negra e na promoção de uma ciência mais justa e representativa.
Márcia – Uma cientista branca comprometida com a diversidade genética da população afro-brasileira
Curitibana, Márcia Holsbach Beltrame nasceu em 1984 e descobriu sua paixão pela Genética ainda no ensino médio. Ingressou no curso de Ciências Biológicas da UFPR em 2002 e, já no início da graduação, iniciou estágio no Laboratório de Genética Molecular Humana, sob orientação da professora Maria Luiza Petzl-Erler, com foco em populações negligenciadas.
Seguiu na pesquisa com Mestrado (2006) e Doutorado (2012) em Genética, explorando variantes genéticas do sistema imune. Realizou três pós-doutorados, incluindo um período de três anos e meio na Universidade da Pensilvânia (EUA), onde participou de pesquisas sobre genética de populações africanas, incluindo um estudo sobre variação da cor da pele publicado na revista Science.
Retornou ao Brasil em 2018, assumindo vaga como docente na UFPR. Coordena atualmente pesquisas que envolvem genética e saúde da população negra. Ao longo de sua formação acadêmica, não teve contato com debates étnico-raciais, mas reconhece hoje a urgência de integrar essa temática à ciência, e busca fazê-lo por meio de suas disciplinas, projetos de pesquisa e ações de extensão.
Ana Carolina – Uma jovem pesquisadora dedicada à saúde da mulher negra
Ana Carolina Aparecida Gonçalves, de 21 anos, é estudante de Ciências Ambientais na UFPR. Filha de pais cearenses, cresceu em Matinhos (PR), onde desde cedo demonstrou interesse pela ciência. Ingressou inicialmente em Ciências Biológicas (UNESPAR), mas precisou mudar de curso por questões financeiras, optando então pela UFPR.
Sua trajetória científica começou no Laboratório de Microbiologia e Biologia Molecular, onde atuou durante a pandemia de COVID-19. Em 2022, ingressou no Laboratório de Genética Molecular Humana para desenvolver uma pesquisa de iniciação científica sobre o câncer de mama em mulheres negras, sob orientação da professora Márcia Beltrame. Hoje, Ana planeja seguir carreira acadêmica, comprometida com a produção científica voltada às necessidades da população negra.
Natalie – Uma cientista dedicada à genética de populações afro-brasileiras
Natalie Mary Sukow é bióloga formada pela UFPR, onde iniciou sua trajetória científica em 2017 com um projeto sobre a distribuição do mosquito da dengue. Em 2019, passou a atuar no Laboratório de Genética Molecular Humana, com foco na persistência da lactase em populações afro-brasileiras.
Sua pesquisa se expandiu para temas como ancestralidade genética de comunidades quilombolas e pigmentação da pele. Em 2022, iniciou o mestrado em Genética na UFPR, aprofundando seus estudos em diversidade genética latino-americana, especialmente entre populações quilombolas. Seu trabalho busca compreender a variação genética como parte da história e identidade dos povos.
Vanessa – Uma cientista pesquisando genética e diabetes tipo 2 em afrodescendentes
Primeira da família a cursar o ensino superior, Vanessa dos Santos Ribeiro Zanette se formou em Farmácia com bolsa do PROUNI. Iniciou sua pesquisa em genética ainda no mestrado, com foco em diagnóstico de doenças raras, área que seguiu no doutorado. Atualmente, realiza pós-doutorado no LGMH (UFPR), investigando o papel da atividade mitocondrial no desenvolvimento da diabetes tipo 2 em pessoas negras.
Além da pesquisa acadêmica, é empreendedora na área de diagnóstico genético. Seu trabalho busca compreender como marcadores mitocondriais podem ajudar a prever e prevenir complicações do diabetes em afrodescendentes, ampliando a inclusão da diversidade genética na medicina de precisão.
Wilcéia – Jovem estudante de Medicina e pesquisadora em genética humana
Wilcéia é uma jovem negra que cresceu em Brás de Pina, na zona norte do Rio de Janeiro. Estudou no Colégio Pedro II, onde tomou consciência da importância das políticas públicas para o acesso à educação e saúde. Inicialmente ingressou em Ciências Sociais (UFRJ), mas decidiu seguir o sonho de cursar Medicina.
Fez curso técnico no INCA e, ao mudar-se para Curitiba para trabalhar em um laboratório, foi aprovada em Medicina na UFPR em 2021. Em um curso marcado pelo elitismo e racismo estrutural, Wilcéia encontrou na iniciação científica em Genética Humana um espaço de resistência, aprendizado e reafirmação de sua trajetória.
Thalia – Pesquisadora na interface entre genética e odontologia
Nascida em Pitanga (PR), Thalia Roberta de Moraes ingressou em Odontologia na UFPR em 2020. Desde o início, demonstrou interesse pela Genética e iniciou pesquisa científica no LGMH, integrando projetos sobre saúde e ancestralidade da população negra.
Estuda variantes genéticas associadas a doenças como diabetes, hipertensão e periodontite, especialmente entre comunidades quilombolas. Seu objetivo é aplicar esse conhecimento genético no cuidado odontológico, promovendo uma abordagem mais personalizada e sensível à diversidade populacional.
Iriel – Cientista investigando ancestralidade afro e indígena no sul do Brasil
Iriel nasceu em Posadas, na Argentina, e desde cedo se interessou pela história de sua ancestralidade. Ao perceber silêncios e lacunas nas narrativas familiares, especialmente do lado materno, despertou para a importância da genética como ferramenta para reconstruir histórias apagadas.
Graduou-se em Biologia Molecular e veio para o Brasil realizar doutorado na UFPR, sob orientação da professora Márcia Beltrame. Seu trabalho se concentra em comunidades quilombolas do Paraná, analisando linhagens maternas e paternas, além de genes associados a doenças prevalentes na população negra. Sua pesquisa busca romper com o apagamento histórico e dar visibilidade à diversidade genética do Brasil.
Gabriel – Um cientista interdisciplinar comprometido com saúde e bem-estar
Gabriel nasceu nos Estados Unidos e cresceu em Curitiba, onde construiu sua trajetória acadêmica. Iniciou a pesquisa científica na UFPR, sob orientação da professora Maria Luiza Petzl-Erler, e realizou intercâmbio na França, aprofundando sua formação em genética humana e médica.
Com foco em doenças autoimunes como o pênfigo foliáceo, sua pesquisa o levou a regiões carentes do Brasil. Ao longo do tempo, uniu a genética à promoção da saúde integral, passando a investigar como os fatores genéticos podem influenciar respostas individuais a diferentes estilos de vida. Hoje, atua na interface entre genética, nutrição e saúde pública, com uma visão interdisciplinar e socialmente engajada.
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